sexta-feira, 16 de abril de 2021

Por amor ao Cristianismo ou por amor a Cristo?

 Estas duas semanas vivemos no Brasil mais um episódio grotesco protagonizado diretamente no Supremo Tribunal e muitos chamaram de "A Igreja no Banco dos Réus". A situação por si só já se mostra ridícula, uma vez que o julgamento não envolvia as Igrejas Evangélicas, Católicas ou o Cristianismo simplesmente, mas evitar que qualquer grupo religioso se reunisse, gerando aglomerações e transmissão do vírus, ou seja, nenhum grupo, de qualquer religião, poderia se reunir, no entanto, alguns grupos evangélicos, tentaram transformar isto em um cavalo de batalha sem o menor sentido. Nenhuma Igreja esteve no Banco dos Réus, o que foi julgado era a obediência a um princípio estabelecido em qualquer religião, o respeito e a preservação à vida, e que tal atitude deveria, no mínimo ser um bom senso, presente na vida de qualquer líder religioso.

Como se não bastasse tal infâmia, ainda aconteceu um discurso cheio de preconceitos de intolerância e completamente equivocado do Advogado Geral da União, onde parece não entender princípios que fazem parte do Evangelho. Um dos trechos que chamou a minha atenção e vários líderes evangélicos republicaram numa atitude que beira o vitimismo foi esta "..."NÃO há Cristianismo sem vida comunitária, NÃO há Cristianismo sem a Casa de Deus, NÃO há Cristianismo sem dia do Senhor, é por isso que os verdadeiros cristãos não estão dispostos jamais a matar por sua fé, mas estão sempre dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e culto."... (André Mendonça - Adv. Geral da União do Brasil)

O primeiro engano é supervalorizar o Cristianismo. Jesus nunca fundou nenhum sistema religioso, Jesus nunca fundou nenhuma religião. Em Atos 11.26, temos que na cidade de Antioquia aqueles que seguiam a Jesus foram chamados de cristãos, que significa "aqueles que pertencem a Cristo". Portanto, vida comunitária é uma consequência de pertencera Cristo, na Igreja Primitiva a comunhão existia pelo sentimento de pertencer e professar a Cristo e não por serem cristãos.

O segundo engano está no fato de que a Igreja primitiva se reunia em casas e não no templo. As igrejas enquanto Corpo não estavam atreladas à necessidade de um lugar para reunião. A pandemia ensinou que a Igreja somos cada um de nós e que não dependemos do templo para adoração, esta pode ser feita em nossas casas. A pregação do Evangelho não se resume a templos e a vida comunitária é alcançada de diversas formas. Tive a experiência de usar meu Whatsapp para orar por algumas pessoas e para todas este gesto fez alguma diferença. Em muitos templos não existe vida comunitária, pois uma Igreja que tem vários cultos por dia, as pessoas entram e saem sem se conhecerem, sem relacionamento, em se importarem umas com as outras é sinal claro que não há vida comunitária.

O mais complicado foi dizer que verdadeiros cristãos estão dispostos a morrer para garantir sua liberdade de culto. Em que Bíblia este moço leu isto? Em que que Bíblia deu base para que ele chegasse a esta conclusão? Os cristãos do novo testamento morriam por amor a Cristo e ao Evangelho. Jesus várias vezes falou que aqueles que escolhessem segui-lo e ser semelhante a Ele, seriam perseguidos e mortos. Mateus 5.11 e 12, Jesus fala que bem aventurados são aqueles insultados, caluniados, perseguidos por amor a Ele e não pela liberdade de culto.

Sinceramente, se é para ser perseguido, caluniado, injuriado e até morto, que seja por amor a Cristo. O Cristianismo não salva ninguém, o Cristianismo não é modelo de vida para ninguém, o Cristianismo não transforma ninguém, quem faz isto é Jesus, o poder transformador está no Evangelho, foi na Cruz que Jesus morreu para a nossa salvação, É em Jesus que as promessas de Deus se cumprem. 

Quem está disposto a morrer pela liberdade de culto, não está disposto a morrer por amor a Cristo.

Cleber Trancozo - Pastor, Psicólogo e Educador 



terça-feira, 13 de abril de 2021

A Igreja Cristã e a Cultura do Ódio

Ultimamente tenho sido surpreendido por várias publicações onde vemos a proliferação da cultura do ódio. Mas é justamente, no lugar onde esta cultura deveria ser combatida, que parece ser onde ela mais tem proliferado. A falta de respeito, o discurso preconceituoso baseado em achismos e sem fundamentos, a preguiça de investigar e de buscar fundamentos, que por sinal, parece ser uma marca que acompanha a Igreja Cristã desde a Idade Média, contrariando os ensinamentos questionadores de Jesus, mostra-se presente principalmente quando vemos as redes sociais de pessoas que se autodenominam cristãos.

A Cultura do ódio propaga-se em alta velocidade à medida em que nossa sociedade torna-se polarizada e a Igreja cada vez mais politizada e próxima do poder. Parece que estamos retornando ao que a humanidade viveu na Idade Média, onde aqueles que pensam, agem, creem de forma diferente são inimigos e merecem a morte e o desprezo. São párias em uma sociedade que só cabe uma única forma de pensar e o diferente deve ser execrado.

Fica claro que tal projeto político-religioso vai na contramão da Bíblia, que por sinal, deveria ser a regra de fé e prática de todos os que se chamam seguidores de Cristo. Quando penso que Bíblia é quem deve nortear ações e atitudes percebe-se que ela retira todo espaço da cultura do ódio, para em seu lugar instalar e fortalecer a cultura do amor.

Considero o Sermão de Monte como o "Código de Ética" ensinado por Jesus. No Capítulo 5 de 21 a 28, Jesus mostra que o matar não está somente no ato, mas que o fato de irar e pensar em matar já é homicídio e que antes de entregar a oferta é preciso estar bem com todos. De 38 a 42 Jesus mostra que antes de pensar em vingança é preciso compreender a capacidade maravilhosa da reconciliação e do acordo. De 43 a 48 Jesus ensina a amar aqueles que são chamados de inimigos, pois amar quem ajuda é fácil, difícil é ajudar e amar quem persegue. Enfim, Jesus mostra que no relacionamento entre os seres humanos não deve existir a cultura do ódio e sim a cultura do amor.

Nestes tempos de Pandemia, desenvolver a cultura do amor é uma necessidade. Não há espaço para a cultura do ódio na Igreja. Se a Igreja não é um lugar de acolhimento, de tolerância, de equilíbrio, o Evangelho ainda não tomou lugar nesta Igreja. 

É tempo de dar fim à cultura do ódio

Cleber Trancozo - Pastor, Psicólogo, Educador.



domingo, 27 de maio de 2018

Lidando Com a Mágoa e a Amargura


Lidando Com a Mágoa e a Amargura.

Será que a nossa vida hoje é como planejamos ou está faltando algo? Seja por razões de divórcio, viuvez ou mesmo o fato de não ter encontrado ninguém, o número de pessoas que ficam sozinhas está crescendo. Fica uma questão: Como reagir e lidar com este fato? Como lidar com situações que trazem amargura e mágoa diante das mais diversas situações de vida? E quando parece que Deus esqueceu-se de nós?
A verdade é que existem diversas situações de vida que geram mágoas e amarguras, principalmente no campo afetivo emocional, perdas, situações de desesperança, sonhos desfeitos, podem gerar tais sentimentos. Todos nós já tivemos sonhos desfeitos, porém Jesus tem planejado uma vida de alegria para todos nós.
O geralmente fazemos quando sofremos uma decepção? Podemos escolher viver uma vida cheia de amargura e mágoas, adoecendo e vivendo infelizes ou buscar a felicidade.
A amargura é como um câncer que não foi combatido, que vai corroendo por dentro a nos consumir e destruindo qualquer possibilidade de sentirmos alegria. A amargura traz a tona os piores atributos de uma pessoa. Fica então uma questão: Como podemos nos livar da amargura?
Tenha um amigo em quem confiar.
A presença de verdadeiros amigos podem nos ajudar nos momentos de crise. É certo que muitos dos conselhos que recebemos, nem sempre é o que queremos ouvir, e devemos tomar muito cuidado pois nem sempre estes amigos trazem conselhos que estejam alinhados com o que Deus deseja para nossa vida.
 Amigos nos ajudam a enfrentar as situações certos de que não estamos sozinhos.
 Amigos dizem o que é preciso e não o que queremos ouvir.
Amigos nos ajudam a superar dificuldades.
Dê tempo ao tempo.
A prender a superar nossas dores é uma tarefa que exige tempo. Nem sempre quaremos ser confrontados com a situação que está acontecendo, queremos fugir e nos esconder. O tempo nos ajuda a viver o confronto com a situação e a crescer. Precisamos aprender que:
O tempo não é nosso inimigo.
Que o tempo não pode ser apressado.
Não é o tempo que cura mas o tempo pode proporcionar a cura.
Perdoe.
Liberar perdão é a melhor forma de cura. Quando perdoamos, nós nos liberamos, abrimos mão do ressentimento que possa ter ficado e caminhamos em direção da saúde emocional. O perdão nos libera de qualquer amargura.
Amargura é um sentimento que pode ser destrutivo se não for tratado. A amargura impede a nossa felicidade pois traz o medo de buscar a felicidade. Retirar a amargura da vida não é fácil, mas contamos com o amor de Deus para que isto aconteça, a escolha é nossa.

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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Rejeição

Rejeição


O sentimento de rejeição é provavelmente a ferida psicológica mais comum e recorrente em nossas vidas. Todos nós já fomos em algum momento da vida rejeitados de alguma forma seja numa brincadeira quando criança, no convite não recebido para uma festa, na perda de um emprego ou na recusa em um processo seletivo, a reprovação em uma fase da vida estudantil ou numa desilusão amorosa.
Segundo Guy Winch, Doutor em Psicologia e terapeuta de casais “A rejeição é pior que a dor física porque não tem remédio” e o especialista continua “As rejeições são como cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne.
Em nossos dias parece haver uma diminuição na capacidade das pessoas em lidar com a rejeição, o mundo contemporâneo propaga a ideologia de que é possível ter-se tudo que se quiser e há uma cobrança para que isto aconteça, caso não se realize ou não se alcance o que se almeja, a frustração cresce e a dificuldade em lidar com estas situações cria um sentimento de a vida nos rejeitou.
Rejeição, segundo o dicionário, pode ser entendida como um ato de repulsa, a não aceitação de algo ou de alguém, recusa. Para alguns Psicólogos a dor da rejeição é sentida pelo cérebro da mesma forma que uma dor física.
1.      Impacto da Rejeição na Vida do Ser Humano.

a.      Autoestima – Pessoas que vivem este tipo de situação possuem uma necessidade de agradar as outras, esquecem de si mesmas, não por altruísmo, mas pela necessidade de “ter que” agradar e com isso conquistar, através do elogio, reconhecimento e aprovação.
b.      Insegurança – O medo de novas rejeições provoca a insegurança, que via de regra, vem potencializada pelo medo, que pode provocar fobias crônicas. A pessoa torna-se indecisa, incapaz de tomar decisões, fazer escolhas.
c.      Mágoa e Raiva – Quem se sente rejeitado tende a defender-se pois a mágoa sentida é muito forte e acaba por provocar uma raiva que é direcionada à pessoa que rejeitou ou quem está associado à rejeição. A raiva que é manifestada pode ser imprevisível acompanhada de agressividade. Esta agressividade pode, por vezes, ser direcionada para a própria pessoa.
d.      Ansiedade e Angústia - A ansiedade é uma sensação ou sentimento decorrente da excessiva excitação do Sistema Nervoso Central consequente à interpretação de uma situação de perigo. A angústia é uma manifestação emocional perturbadora e incômoda. É resultante do excesso de questionamentos, incertezas e cobranças pessoais. Ambas vão gerar uma série de sintomas físicos que podem resultar em um Transtorno de Ansiedade.
e.      Desvalorização de si mesmo – A busca pelo “por que” da rejeição e a falta de respostas acarreta um sentimento de culpa e desvalorização, resultando num pessimismo constante frente à vida.
f.       Isolamento e Comportamento. Antissocial – O medo da rejeição e de ser rejeitado fazem com que haja uma dificuldade em estabelecer relacionamentos e interação social. O sujeito pode tornar-se introvertido, triste e solitário.
g.      Carência Afetiva e Emocional – A rejeição provoca uma carência que leva as pessoas a buscarem em outras pessoas apoio emocional. Aceitam migalhas de amor, de carinho e de atenção, não conseguem ficar só e em grande parte do tempo entram e saem de relacionamentos ou preservam algum, mesmo estando infelizes.
h.      Depressão e Suicídio – Pode ser o estágio final que as situações de rejeição podem levar. Para estas pessoas não há motivação e esperança para a vida, e a depressão se instala. Dentro da estrutura depressiva a autoestima baixa e fragilizada associada a raiva direcionada para si mesmo podem levar ao suicídio.
1.      Como lidar com a Rejeição.
Para alguns parece algo fácil de lidar ou de resolver, porém não é. Exige da pessoa que deseja curar-se um esforço em direção a esta cura e são passos muitas vezes dolorosos e confrontadores, porém são necessários.
a.      Reconheça seu sentimento – Ninguém pode reconhecer seu sentimento por você. Identifique e decida curar-se. Faça um autoexame e seja sincero com seu coração, perceba suas ações e deixe vir à memória situações de rejeição.
b.   Liberte-se do sentimento de culpa – Perceba que as causas da rejeição não estão relacionadas a você, mas aos bloqueios que existem naqueles que rejeitaram. 
c.      Perdoe – liberar perdão é livrar-se de uma prisão. Paul Young no livro “A Cabana” diz que perdoar é tirar a mão do pescoço do outro. Quando você decide perdoar você não somente está liberando o outro para seguir, mas está liberando a si mesmo para seguir em frente.
d.     Ame-se – Perceba as sua potencialidades, valorize a si mesmo. Amar a si mesmo não está ligado a egoísmo ou egocentrismo, mas a capacidade de valorizar a si mesmo, celebrar suas conquistas e vitórias.
e.      Confronte – Pode ser necessário falar com quem te fez se sentir rejeitado. Fale dos seus sentimentos e não somente de fatos. Não se preocupe com respostas, com justificativas ou “porquês”, tão somente abra o coração e esteja pronto para liberar perdão e assim livrar-se da culpa.
g.    Procure ajuda – Não tenha vergonha de buscar ajuda profissional pois existem áreas da nossa alma que um profissional, guiado por Deus te ajudará a livrar-se da rejeição.
Cleber Trancozo - Psicólogo

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terça-feira, 5 de junho de 2012

Tênis ou Frescobol, o que Você Joga no seu Casamento?


Lendo um texto do Psicanalista Rubem Alves, ele fala sobre relacionamentos no casamento e traz uma comparação entre o tênis e o frescobol, nos faz pensar em como estamos vivendo nossos casamentos.
O jogo de tênis e o de frescobol tem algumas coisas em comum: precisam de duas raquetes, uma bola e são feitos ao ar livre. As semelhanças acabam por aqui. As diferenças é que são bem acentuadas. Enquanto o tênis é um jogo competitivo, o frescobol é um jogo participativo, no tênis a intenção é usar a força para colocar a bola no campo do adversário, no frescobol, a intenção é jogar para o outro de forma que a bola possa ser rebatida e fique o maior tempo no ar. No tênis sempre há um vencedor e um vencido, no frescobol os dois são vencedores. No tênis há a obrigação de ganhar no frescobol há o desejo e o prazer da diversão. Estas diferenças nos mostram que:
1. Se o casamento for um jogo de tênis
a.       Serão sempre adversários – Competirão sempre pelas coisas mínimas e tentarão sempre superar um ao outro.
b.      Reagirão à força um do outro – Significa que estrão sempre a devolver palavras, gestos, atitudes um para o outro na mesma intensidade e força.
c.       Apoiar-se-ão no erro do outro – como no tênis estarão sempre ocupados em buscar os erros um do outro para apontar, para ganhar pontos, e serem vencedores numa situação.
d.      A alegria de um poderá ser a tristeza do outro – A vida competitiva e a necessidade de vencer levará um sempre a se alegrar pois será aquele a ter a razão a estar certo.
2. Se o casamento de for um jogo de frescobol:
a.       Aprenderão a caminhar juntos – Não há vencedores nem vencidos e sim prazer de compartilhar, de ser cúmplices.
b.      Serão parceiros um do outro em tudo – Nada é meu nem teu, tudo é nosso, construímos tudo juntos e juntos vão se esforçar para que a bola nunca caia, mesmo que que alguma jogada meio torta aconteça.
c.       O erro é um acidente a ser trabalhado – ambos perceberão que são humanos e ao invés de buscar os erros buscarão as virtudes e quando os erros acontecerem, ninguém será culpado, mas buscarão entender como ele aconteceu e estarão prontos a começar de novo.
d.      Será uma felicidade mútua – ninguém sairá triste por ter sido derrotado, não haverá revanches nem tira-teimas, mas a alegria de compartilhar tudo, de crescerem juntos será sempre maior.
Quero terminar pensando no texto de Eclesiastes 9.12 que fala sobre andar juntos, de compartilhar de ser companheiro, isto só possível quando desejamos andar juntos, só será verdade se compartilharmos tudo e se a terceira dobra do cordão for Deus. Ele andará com vocês, estará ao lado de vocês em cada dia do casamento, será o seu Deus em todos os momentos, pois ele será a terceira dobra do cordão.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

“Milho de Pipoca Que Não Passa Pelo Fogo Continua a Ser Milho Para Sempre”

Esta frase de Rubem Alves marcou a minha vida. Ouvi esta frase pela primeira vez do Pastor Eli Fernandes no Congresso Haggai em 2010, se não me engano. Parei em seguida e pude ler o texto de Rubem Alves e percebi o quanto de verdade existe nesta afirmação. Todos nós, na vida, passamos pelo fogo, muitas vezes é o fogo da doença, o fogo da perda de alguém querido, de uma separação, da dificuldade financeira. A verdade é que as dificuldades tendem a nos tornar mais experientes e porque não pensar, mais fortes.
Dificuldades fazem parte da vida, há uma tendencia em todo ser humano a celebrar somente o que pode ser visto como coisa boa, celebramos nascimentos, celebramos aniversários, celebramos formaturas, celebramos a saúde e nos esquecemos de celebrar as dificuldades. Parece algo paradoxal, celebrar as dificuldades, sim penso que é importante celebrá-las, porque não são nas situações de alegria e de gozo que crescemos, não nas situações de mansidão e temperança que aprendemos, mas quando somos coloca dos no fogo.
Celebrar as dificuldades não é adquirir uma visão pessimista da vida, nem tão pouco fatalista, mas é aprender a  que cada situação deve ser vivida e enfrentada, é não fugir da adversidade, não se esconder na dificuldade, mas conquistar as experiencias e o aprendizado que estas circunstâncias nos trazem.
Rubem Alves faz uma outra citação fantástica “milho de pipoca que passa pelo fogo e não vira pipoca, vira piruá”. O piruá é aquele milho que passou pelo fogo e continuou "milho", ou melhor, não virou pipoca e perdeu a condição de milho, no fim não serve para nada a não ser para ser jogado fora. Existem pessoas que diante das dificuldades se tornam "piruás", se recusam a celebrar a dificuldade e se enfraquecem, não são capazes sequer de ver a mão de Deus ajudando e sustentando, são pessoas amargas que celebram somente a desgraça, são verdadeiros "vampiros emocionais", pois sugam as emoções de si mesmos e de quem está à sua volta.
Passar pelo fogo não é uma escolha é um acontecimento que nenhum ser humano está livre de viver, passar pelo fogo é crescer é aprender a ser aquilo para que fomos criados, é aprender a celebrar a dificuldade e nela crescer é se transformar em algo ou em alguém melhor.
Assim sendo, viva a dificuldade, viva o fogo, e que nunca nos tornemos piruás e sim pipocas!!!!!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Tudo Está Bem em Minha’alma


Horatio G.Spafford um advogado de Chicago escreve o hino cujo coro cantamos “sou feliz, com Jesus”. Você deve estar pensando que para escrever um hino com o título de “Sou Feliz”, o autor devia ser um homem rico e estava passando por um momento maravilhoso e com tudo dando certo em sua vida,mas esta frase: “...se dor a mais forte sofrer...sou feliz com Jesus”, mostra algo totalmente diferente. Eis a verdadeira história:
Horatio Gates Spafford (1828-1888) nasceu no dia 20 de outubro de 1828 em Lansingburgh, Rensselaer county, Nova York, EUA. Horatio, ainda jovem, mudou-se para Chicago onde começou a trabalhar como advogado. Em 1861, casou-se com uma jovem chamada Anna Tuben Larssen. Em 1870, Horatio e Anna Spafford já tinham um filho (Chamado Horatio) e 3 filhas (chamadas Annie, Maggie e Bessie), mais tarde teria uma outra filha chamada Tanetta. Neste mesmo ano, 1870, seu filho de apenas 4 anos, morreu em consequüência de uma febre muito forte e a família Spafford sofreu seu primeiro impacto.
No dia 9 de outubro de 1871 acontece um dos maiores incêndios da história dos EUA. Este incêndio matou cerca de 250 pessoas e deixando quase 90.000 pessoas desabrigadas. Horatio teve uma grande perda financeira por causa do incêndio que destruiu cerca de um terço da cidade, mesmo assim, ele e sua esposa trabalharam intensamente durante 2 anos ajudando as vítimas a reestruturarem suas vidas. Horatio era amigo do grande evangelista Dwight L. Moody, que também morava em Chicago em 1873 Horatio e sua esposa decidiram ir até a Europa, onde iriam encontrar o Dwight L.Moody em uma de suas cruzadas evangelísticas. Planejavam também visitar a Europa continental. Toda a família viajou para nova York para então pegar o navio. Mas um compromisso no último momento o impediu de viajar. Então ele enviou sua esposa e suas 4 filhas na frente, no navio S.S. Ville Du Havre. Ele iria encontrá-las assim que pudesse. Então no final de novembro de 1873 o navio partiu para a Europa com a Anna, as 4 filhas do casal e mais aproximadamente 310 passageiros. E Horatio voltou para Chicago.
Então acontece uma tragédia. Na madrugada do dia 22 de novembro de 1873 no Atlântico norte, o navio em que a família de Horatio estava, se chocou com um outro navio inglês e afundou em apenas 12 minutos. 226 pessoas morreram neste naufrágio, incluindo as 4 filhas de Horatio. Somente 90 pessoas sobreviveram, entre elas, Anna Spafford. Logo que chegou a um lugar seguro, após ter sido resgatada, Anna enviou um bilhete, no dia 01 de dezembro de 1873, para seu marido com uma triste mensagem: “Salva, porém só”.
Imediatamente Horatio pegou um n avio e foi ao encontro de sua esposa. Em um momento de sua viagem, Spafford foi avisado que estava passando perto do local onde suas filhas haviam morrido no acidente, e se sentiu profundamente comovido. Ele então voltou para sua cabine e começou a escrever: “Quando a paz, como um rio, visitar meu caminho”. Este hino foi escrito em um momento de muita dor, mas ao mesmo tempo em um momento em que ele pode sentir o conforto da paz que está acima de todo o entendimento humano, que só Cristo pode dar.
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14.27)
Eis a letra no Inglês e sua tradução literal e percebam a beleza de alguém que consguiu viver a esperança que só Cristo traz.
When peace, like a river, attendeth my way, Quando a paz, como um rio, visitar meu caminho,
When sorrows like sea billows roll, Quando tristezas agitarem como vagas do mar,
Whatever my lot, Thou hast taught me to say: Qualquer que seja minha porção, Tu me ensinaste a dizer:
It is well, it is well with my soul! Tudo está bem, tudo está bem em minha alma!
It is well (it is well), Tudo está bem (tudo está bem),
With my soul (with my soul). Em minha alma (em minha alma).
It is well, it is well with my soul. Tudo está bem, tudo está bem em minha alma.
Though Satan should buffet, though trials should come, Embora Satanás possa me esbofetear, embora provações possam vir,
Let this blessed assurance control: Deixo essa bendita segurança me controlar:
That Christ hath regarded my helpless estate, Que Cristo considerou meu estado desamparado,
And hath shed His own blood for my soul. E verteu Seu Próprio sangue por minha alma.
It is well (it is well), Tudo está bem (tudo está bem),
With my soul (with my soul). Em minha alma (em minha alma).
It is well, it is well with my soul. Tudo está bem, tudo está bem em minha alma.
My sin, Oh, the bliss of this glorious thought - Meu pecado – oh, bênção deste glorioso pensamento –
My sin, not in part but in whole, Meu pecado, não em parte, mas totalmente,
Is nailed to the cross, and I bear it no more: Está pregado na cruz, e eu não o carrego mais:
Praise the Lord, praise the Lord, Oh, my soul! Louva ao Senhor, louva ao Senhor, oh, minha alma!
It is well (it is well) Tudo está bem (tudo está bem),
With my soul (with my soul). Em minha alma (em minha alma).
It is well, it is well with my soul. Tudo está bem, tudo está bem em minha alma.
And, Lord, haste the day when my faith shall be sight. E, Senhor, vem o dia quando minha fé será vista.
The clouds be rolled back as a scroll, As nuvens serão enroladas como um pergaminho,
The trump shall resound and the Lord shall descend, A trombeta ressoará e o Senhor descerá,
Even so, it is well with my soul E mesmo então, tudo está bem em minha alma.
It is well (it is well), Tudo está bem (tudo está bem),
With my soul (with my soul) Em minha alma (em minha alma).
It is well, it is well with my soul. Tudo está bem, tudo está bem em minha alma.