Ultimamente tenho sido surpreendido por várias publicações onde vemos a proliferação da cultura do ódio. Mas é justamente, no lugar onde esta cultura deveria ser combatida, que parece ser onde ela mais tem proliferado. A falta de respeito, o discurso preconceituoso baseado em achismos e sem fundamentos, a preguiça de investigar e de buscar fundamentos, que por sinal, parece ser uma marca que acompanha a Igreja Cristã desde a Idade Média, contrariando os ensinamentos questionadores de Jesus, mostra-se presente principalmente quando vemos as redes sociais de pessoas que se autodenominam cristãos.
A Cultura do ódio propaga-se em alta velocidade à medida em que nossa sociedade torna-se polarizada e a Igreja cada vez mais politizada e próxima do poder. Parece que estamos retornando ao que a humanidade viveu na Idade Média, onde aqueles que pensam, agem, creem de forma diferente são inimigos e merecem a morte e o desprezo. São párias em uma sociedade que só cabe uma única forma de pensar e o diferente deve ser execrado.
Fica claro que tal projeto político-religioso vai na contramão da Bíblia, que por sinal, deveria ser a regra de fé e prática de todos os que se chamam seguidores de Cristo. Quando penso que Bíblia é quem deve nortear ações e atitudes percebe-se que ela retira todo espaço da cultura do ódio, para em seu lugar instalar e fortalecer a cultura do amor.
Considero o Sermão de Monte como o "Código de Ética" ensinado por Jesus. No Capítulo 5 de 21 a 28, Jesus mostra que o matar não está somente no ato, mas que o fato de irar e pensar em matar já é homicídio e que antes de entregar a oferta é preciso estar bem com todos. De 38 a 42 Jesus mostra que antes de pensar em vingança é preciso compreender a capacidade maravilhosa da reconciliação e do acordo. De 43 a 48 Jesus ensina a amar aqueles que são chamados de inimigos, pois amar quem ajuda é fácil, difícil é ajudar e amar quem persegue. Enfim, Jesus mostra que no relacionamento entre os seres humanos não deve existir a cultura do ódio e sim a cultura do amor.
Nestes tempos de Pandemia, desenvolver a cultura do amor é uma necessidade. Não há espaço para a cultura do ódio na Igreja. Se a Igreja não é um lugar de acolhimento, de tolerância, de equilíbrio, o Evangelho ainda não tomou lugar nesta Igreja.
É tempo de dar fim à cultura do ódio
Cleber Trancozo - Pastor, Psicólogo, Educador.
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